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Restauro M3 da Mtecnica

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1993 E36 M3 3.0

Começa hoje... e provavelmente durante muitos anos... o rebuild!


12092010131 por Mou Chin Racing, no Flickr
Continuar...
 

Polias reguláveis... e agora?

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Polias reguláveis são um óptimo upgrade para quem queira afinar o ponto do motor minuciosamente, neste caso das árvores de cames. Noutras palavras afinamos com precisão a altura que as válvulas de escape e admissão abrem e fecham em relação à posição do pistão e cambota, quanto mais perfeito e síncrono for este "timing" melhor rendimento terá motor.

E agora como regulo as polias? Existem vários métodos mas este talvez seja o mais simples e fácil de executar mas para tal são necessárias algumas ferramentas especiais:
 
- 1 x Comparador.
 
- 1 x Braço articulado para o Comparador.
 
- 1 x Transferidor de 360º para a polia da cambota (como na figura inicial).
 
1 - Rode a cambota no sentido normal de funcionamento do motor até encontrar o ponto morto superior no cilindro nº1 (no caso dos Hondas e carros não franceses, se houver dúvidas consultar o manual de oficina. Pode confirmar o PMS verficando a posição do pistão através do orifício das velas de ignição.
 
NOTA 1: Importante nesta altura colocar a folga das válvulas a 0,00mm. Depois de acabarmos a afinação temos que repor a folga de acordo com as especificações do fabricante das árvores de cames, neste caso podemos ver no diagrama apresentado que para admissão é de 0,23mm e escape é de 0,27mm.
 
2 - Cole o transferidor (pode ser uma fotocópia de papel) na polie da cambota e faça uma marca no bloco coincidente com posição de 0º no transferidor. Um bocado de arame é muito prático porque se pode aparafusar ao bloco e serve de ponteiro no transferidor.
 
NOTA 2: Se rodar demasiado a cambota nunca rode para trás para voltar a oº, rode antes novamente no sentido de funcionamento do motor até voltar a oº (PMS).
 
3 - Colocar o comparador a medir a abertura da válvula no chapéu superior que segura a mola da válvula. No caso do diagrama apresentado devemos usar as válvulas de escape e admissão do clindro nº1 correspondentes à came primária porque é um motor VTEC. Podemos começar pela de admissão.
 
4 - Rodar a cambota até o transferidor apresentar o ângulo, na marca do bloco, que teoricamente corresponde ao centro da came primária de admissão. No caso do diagrama apresentado teriamos que rodar a cambota 253º (360º-107º) no sentido horário (para motores que rodam no sentido horário como o K20).
 
5 - Desapertar os parafusos da polia regulável de admissão. Rodar apenas (a cambota fica imóvel) a árvore de cames de admissão até vermos a máxima abertura da válvula de admissão, correspondente à came primária, no comparador. Neste caso segundo o diagrama será de 7,5mm, quando o comparador estiver na abertura máxima será esse o centro da came primária.
 
6 - Apertar os parafusos da polia regulável de admissão ao binário específico.
 
7 - Repetir os passos 4, 5 e 7 para a válvula de escape da came primária do 1º cilindro e temos as nossas árvores de cames no ponto. Atenção que no caso do diagrama para o escape devemos rodar apenas 107º na cambota.
 
8 - Volte a rodar o motor duas vezes e verifique novamente com o comparador se a abertura máxima das válvulas de admissão e escape coincidem com os valores no transferidor.

Podem adquirir um comparador e um braço flexível da ATE, que tem um excelente ratio qualidade/preço e fica mais barato que os comparadores específicos para motor. Contactem a http://www.azauto.pt/ para o revendedor ATE mais próximo. As referências são as seguintes:

- 760092- 760093



 

 

Mercedes Voador - Uma lição de aerodinâmica

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Lembram-se deste episódio em 1999? Nem amortecedores Bilstein ou travões ATE iam safar estes rapazes. Os travões e a suspensão ajudam muito mas a partir de uma certa velocidade o ar que respiramos passa também a ser um factor muito importante.

2008/3/3 – Mensagem de um amigo

Caro Engenheiro dos travões e amortecedores,

Porque é que os Mercedes CLK levantaram voo há uns anos em Le Mans e porque é que o ACO (organizador das 24 de Le Mans) resolveu o problema com um fundo do chassis com 2 tuneis na zona média até á traseira em vez dos normais fundos planos com difusor no fim?
Abraço

2008/3/11 Pedro Rosa – Mou Chin Racing < Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar >

Bem vou por partes então, vamos ver se atino nesta.

1 - Os Mercedes em Mulsanne levantaram voo (fliparam) porque perderam downforce (carga aerodinâmica) no eixo dianteiro. Perderam esse downforce porque vinham atrás de outros carros, o que é normal mas não devia ter consequências tão catastróficas.

2 - Qual era o problema? Segundo o que sei os carros tinham o centro de pressão aerodinâmico demasiado recuados o que os fazia ter aquele atitude de nose-up quando perdiam o downforce à frente. Porque os faziam assim? Provavelmente era o melhor equilibrio para reduzir o drag (arrasto), penso eu mas não tenho certeza.

3 - Agora as regras do ACO. Com dois túneis no fundo plano a partir do meio do carro o ar que passar por baixo deve desacelerar a partir do meio do carro certo? Portanto à frente tens o ar bastante rápido por baixo do carro a criar uma depressão (downforce) e atrás por baixo do carro tens lift (ou redução de downforce) porque o ar está mais lento. Assim o centro de pressão aerodinâmica avança para a frente do carro reduzindo as hipóteses do flip quando seguimos outros carros.

Estive perto?
Ab
Pedro Rosa


2008/3/12 – Mensagem de um amigo

Está 100% certo. A paranóia dos fundos planos teve como consequência centros de pressão muito recuados e com a necessidade de reduzir o drag nas rectas, os carros estavam afinados para andarem em rake (diferença de inclinação entre o eixo dianteiro e traseiro) perto de zero o que criava a possibilidade de entrarem em rake negativo. Rake negativo implicava que o ar que entrava não tinha como sair, principalmente por causa da traseira longa que se aproximava do chão, o que obrigava o carro a descolar.
Os túneis dão espaço ao ar para sair seja qual for o ângulo do carro com o asfalto.

2009/07/11 Uma outra mensagem que recebi em resposta a este artigo, muito interessante mesmo. Obrigado pelo contributo.
 
Boa noite,
 
Em referência à explicação apresentada no artigo técnico "Mercedes Voador - Uma lição de aerodinâmica" ( http://www.mtecnica.com/Artigos-Tecnicos/mercedes-voador-uma-licao-de-aerodinamica.html ), parece-me que a mesma não está correcta.
 
A "downforce" criada nestes carros não provém da parte inferior. Aliás, o "efeito de solo" (ground effect), originado na parte inferior, foi proibido. Os automóveis de Fórmula 1, durante os anos 70 e inícios de 80, chegaram a ter a parte inferior em curvatura convexa, como asa invertida, no que ficou designado "efeito de solo". São exemplos disso os Lotus modelos "78" e "79", entre outros que se lhes seguiram. O efeito era a criação de uma força centrífuga em direcção ao solo. Outros veículos utilizaram ventoinhas para obter uma sucção que permitisse baixar a pressão na parte inferior do veículo, como no Brabham "BT44" e "BT46B". A força negativa resultante permitia aos veículos curvarem a velocidades muito acima das que o simples atrito com o piso – sem a influência aerodinâmica – permitiria. Como tal, as velocidades de passagem em curva aumentaram perigosamente, tendo levado a vários acidentes fatais, entre os quais o do famoso canadiano Gilles Villeneuve (1982). A partir do ano seguinte, superfícies inferiores planas tornaram-se obrigatórias.
 
Em princípio, este Mercedes que levantou voo, tal como outros veículos que também voaram (Porsche "911 GT1", Aston Martin "DBR9") em plena corrida, não tinha qualquer "downforce" por baixo. A parte inferior do chassis é plana em competição para evitar a criação de zonas de turbulência que aumentem a resistência aerodinâmica, nada mais. Para criar "downforce" por baixo, a parte inferior tinha de ter o formato convexo que os túneis laterais dos Lotus tinham, a qual foi proibida em competição, como disse.
 
Como é sabido, se os veículos não tivessem apêndices aerodinâmicos na carroçaria, não conseguiriam curvar a alta velocidade, porque o atrito depende da força de sustentação no solo (ou reacção "N") que depende da carga vertical negativa (peso) que é amplificada pela "downforce" aerodinâmica. Só o peso não é suficiente para garantir o atrito necessário. A forma do veículo, sem apêndices aerodinâmicos, ou seja, convexa em cima e plana em baixo, assemelha-se e tem um coeficiente de sustentação semelhante a usa asa de avião, pelo que são necessários apêndices aerodinâmicos para contrariar essa "upforce" (positiva), com "downforce" (negativa). Veja-se o caso limite dos carros de F1 de 2003 e 2006 que conseguiam atingir acelerações angulares radiais máximas na casa dos 6g (em Suzuka, por exemplo) devido aos apêndices aerodinâmicos. Se lhe retirassem as asas e os spoilers, a aceleração máxima de um F1 estaria limitada ao atrito disponível sem ajuda da "downforce", o que provavelmente não andaria muito acima dos 2g apenas. Sem a "downforce", a aceleração máxima é igual ao coeficiente de atrito vezes a aceleração da gravidade (a=u.g). Em termos dinâmicos, uma aceleração de 1g significa que a força necessária para acelerar a massa é igual ao peso (mg) do carro, ou seja, derivando a 2ª Lei de Newton (F=ma) para a=1g, vem: F=mg <=> ma=mg <=> a=g .
 
A "downforce" aerodinâmica (sustentação aerodinâmica negativa) é criada praticamente pelos apêndices aerodinâmicos posicionados sobre a carroçaria: o spoiler dianteiro, que proporciona "downforce" à frente e a asa traseira que confere "downforce" atrás. Por baixo não há "downforce" substancial.
 
A sustentação (Lift) não depende da aceleração linear do escoamento (ar), mas o contrário sim. O ar acelera tangencialmente quando há uma depressão ou sucção a jusante. O "princípio de Bernoulli" não é o mecanismo da sustentação, apenas permite descrever/quantificar matematicamente a variação da pressão de acordo com a variação da velocidade. Para mais, a diminuição da pressão estática é apenas uma consequência ou reacção de equilíbrio à centrífuga. Ela diminui no sentido contrário à Centrífuga. A confusão com o "princípio de Bernoulli" é um erro muitíssimo frequente em Aerodinâmica, entre concepções "mecanistas" e concepções "descritivas". O mecanismo é a força de reacção Centrífuga. A força centrífuga que actua no perfil, em oposição a uma força centrípeta que actua no fluido em adesão ao perfil alar, é que é responsável pela sustentação aerodinâmica. Mas isso é outra questão deveras complexa...
 
Finalmente, se o veículo perder a "downforce" à frente - seja porque salta o spoiler frontal, ou porque a turbulência (esteira aerodinâmica) proveniente do carro da frente reduz essa "downforce" dianteira - a frente tenderá a subir como se fosse uma asa, em oposição à traseira que está bem plantada no solo. Qualquer irregularidade no piso ou perturbação, que faça a dianteira saltar, por mais pequena que seja, é suficiente para que a frente levante voo e o carro rodopie no ar. Já se perder a "downforce" atrás, a alta velocidade, o veículo fará um peão incontrolável.
 
Com os meus melhores cumprimentos,

Pedro Magalhães de Oliveira
Coordenador Científico dos Cursos de Análise e Investigação de Acidentes da ACS

PS: pode ler este artigo sobre o mecanismo aerodinâmico aqui: http://www.docstoc.com/docs/13177524/sustentacao_aerodinamica
 

DOT5.1 ou DOT5?

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Eu purgo as pinças cada track day com ATE DOT 4 Super Blue Racing ou ATE DOT 4 TYP 200. E todos os anos faço um flush completo do sistema.

DOT 5 é diferente de DOT 5.1.

DOT 5 é à base de silicone e encontra-se maioritariamente em veículos industrias e militares devido à sua capacidade anti-humidade. Mas é bastante viscoso e sofre de cavitação (espuma) e está longe de ser ideal para travões "performance".

DOT 5.1 não existe oficialmente nas normas DOT, foi utilizado no incío por marcas como a Castrol para diferenciarem os seus líquidos de travão premium que tinham pontos de ebulição bastante superiores à concorrência, como também melhor viscosidade. Infezlimente a designação DOT 5.1 foi completamente prostituida e hoje em dia qualquer líquido de travões que tenho um ponto de ebulição húmido superior a 180ºC e um pouco menos de viscosidade (o que não é díficil com a tecnologia de fabrico de hoje) é um DOT 5.1.

O melhor é terem a certeza que é DOT 4 (DOT 5.1 = DOT 4 de qualidade), é o que todos os veículos utilizam hoje em dia e garante compatibilidade com os vedantes e outros materias do sistema, que a temperatura de ebulição húmida (com 3% de água) é a mais elevada possível e que a sua viscosidade é a mais recomendada para o tipo de tecnologia que o sistema possui (ESP, VSA e blá blá).

Para track days na minha opinião devem procurar um ponto de ebulição húmido (3% de água) superior a 200ºC e baixa viscosidade (esta é difícil de saber e normalmente só vem na ficha técnica do produto). Por exemplo o Castrol SRF se não me engano anda por volta dos 280ºC húmido! Excelente produto mesmo e tem também uma viscosidade a quente e a frio bastante boa: http://www.goldfren.cz/_download_news/srf_en.pdf.

http://www.superchevy.com/technical/chassis/brakes/0509sc_fluid/index.html

http://www.autoaftermarketnews.com/manchete.php?id=251&cat=23&marca=0

http://www.raceshopper.com/brake_fluid.shtml

http://www.conti-online.com/generator/www/com/it/ate/ate/temi/10_prodotti/30_liquido-freni/download/brake-fluid_flyer_en.pdf
 

Relação Final e LSD S2000

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Juntamente com o nosso parceiro Auto Julião efectuamos uma substituição da relação final e do diferencial autoblocante  de um Honda S2000. Este carro é maioritariamente utilizado em track days e o objectivo desta intervenção era de aumentar a relação final, encurtando assim o tempo de aceleração, e aplicar um diferencial autoblocante com maior capacidade de transferência de binário entre rodas. 

A roda de coroa e pinhão de ataque utlizadas são fornecidas por um fabricante próprio através de encomenda enquanto que o diferencial autoblocante escolheu-se um ATS de discos de carbono. Os discos de carbono permitem um coeficiente de fricção e resistência ao calor superiores aos discos normais de metal.

Já foram efectuados alguns quilómetros de rodagem e o proprietário do veículo está muito satisfeito com este upgrade. Podem ver fotos da montagem do diferencial em baixo.

 
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